O maior culto à aparência e o crescimento da economia brasileira garantem altas receitas e mais glamour ao segmento de salões de beleza. Para se ter ideia, cabeleireiros excelentes têm renda mensal de até R$ 50 mil, enquanto coordenadoras de equipe de maquiagem ganham mais de R$ 30 mil. As informações são do presidente da Associação Brasileira de Salões de Beleza, o empresário paranaense Kyrlei Boff, que também é sócio e diretor da rede Lady&Lord, a maior empresa do setor em shopping centers do Brasil, que em Santa Catarina tem unidade no Floripa Shopping. O setor de beleza, no Brasil, é o terceiro maior do mundo. Somente os salões empregam mais de 4 milhões de profissionais. Atento a esse potencial, Kyrlei Boff acaba de lançar franquias, tanto para ocentro de formação quanto paraos salões da sua empresa.
Kyrlei Boff
Presidente e um dos fundadores da Associação Brasileira de Salões de Beleza, sócio e diretor da Lady&Lord, do Paraná, a maior rede de salões em shopping centers. Natural de Curitiba e engenheiro civil pela PUC/PR, Kyrlei Boff tem 51 anos e é casado com Samira Boff, com quem tem um filho, Christopher. Ingressou no setor para dar continuidade ao negócio da família. Seu pai era empresário do setor madeireiro e, ao mudar de ramo, abriu a rede de salões masculinos Lord. Kyrlei e Samira assumiram a loja no Shopping Mueller há 28 anos. Como era espaçosa, decidiram atender também mulheres, por isso criaram a marca Lady&Lord.
Quanto o setor de beleza faturou em 2010 no Brasil?
Kyrlei Boff – O setor movimentou R$ 24 bilhões. Somente no segmento de cabelos foram R$ 6 bilhões e o de cosméticos também é forte. Além disso, o segmento de salões de beleza é um dos maiores geradores de empregos no Brasil. Cerca de 4,4 milhões de pessoas trabalham em salões no país e há milhares de vagas disponíveis. Só na cidade de São Paulo há uma carência de 45 mil manicures.
Qual é a renda média mensal de um bom cabeleireiro?
Kyrlei – A atividade ganhou mais glamour. Um cabeleireiro, em média, ganha R$ 10 mil. A remuneração é por comissão. Ele ganha 50% do valor de cada corte. Na nossa empresa, os excelentes cabeleireiros ganham de R$ 40 mil a R$ 50 mil por mês. Uma coordenadora de maquiagem recebe até R$ 33 mil. O maior número de vagas no mercado é para manicure. Uma profissional dessa atividade ganha, inicialmente, R$ 1 mil, mas pode chegar a R$ 6 mil se ela se aprimorar e fizer unhas de porcelana, por exemplo.
Há apagão de mão de obra?
Kyrlei – Hoje, o apagão de mão de obra no Brasil é por causa do crescimento econômico, graças a Deus. Mas, para o setor, sempre existiu apagão por falta de formação de pessoas. Para se ter ideia, para contratar um bom cabeleireiro, hoje, você paga luva como nos casos de jogador de futebol. Uma luva custa de R$ 30 a R$ 50 mil em Curitiba, depende de quantas clientes ele traz. Por isso, para ter padrão de serviços sem depender apenas de alguns profissionais, criamos o Centro de Formação Lady&Lord.
Por que a associação do setor?
Kyrlei – A associação foi fundada pelos 55 maiores salões do Brasil porque existe um problema crônico nessa área que é uma indefinição jurídica na relação de trabalho entre o cabeleireiro e o salão. Alguns juízes entendem de uma forma, que é uma parceria, outros consideram que é uma relação de emprego. Há muitos problemas nessa área. O objetivo da associação é estabelecer uma relação uniforme no Brasil. Nós, do Paraná, e posso incluir Santa Catarina porque fizemos um trabalho aqui, com sindicatos, alcançamos um equilíbrio. Nossa empresa, por exemplo, não tem passivo trabalhista. Instituímos uma relação de parceria com o cabeleireiro, assistida pelos sindicatos patronal, laboral e de autônomos, fizemos um contrato decidido em assembleia e colocamos na convenção coletiva. Vamos difundir isso no país.
As classes C e D estão procurando mais os salões?
Kyrlei – As mulheres dessas classes faziam unhas e coloração de cabelos em casa. Hoje, uma boa parte desse grupo passou a frequentar salões. Os serviços mais solicitados são manicure e coloração. Em São Paulo tem uma rede de salões de bairros que é a coqueluche das favelas Não existe mulher feia, há mulher sem vaidade. Curitiba é conhecida como capital nacional da beleza. O tíquete médio mensal das classes A e B, nos salões, é de R$ 60. Das classes C e D é R$ 30. Em Florianópolis, temos tíquete médio 20% superior a média da nossa empresa.
Quais são os planos de expansão da Lady&Lord?
Kyrlei – Temos o Centro de Formação Lady&Lord que forma 300 profissionais por mês em Curitiba. Oferecemos formação de qualidade. Tem mulher que foi de Mercedes fazer curso de cabeleireiro na nossa escola. As pessoas que estão se formando lá têm outro nível cultural. Lançamos franquias do centro de formação e também do salão para crescer mais rápido. O investimento em franquia da escola sai de R$ 150 mil a R$ 350 mil, dependendo do tamanho. Para o salão, a média é de R$ 2 mil o metro quadrado.
Os homens estão investindo mais na aparência?
Kyrlei - Na nossa rede, eles respondem por 20% da receita. Além do corte de cabelo, fazem coloração, podologia e unhas.
Notas
Cosméticos
Exemplo da importância do setor de beleza aconteceu durante a última crise econômica, nos EUA. O empresário Kyrlei Boff lembra do caso curioso de uma revendedora americana de cosméticos que vendeu até 50% a mais na crise. Ninguém entendeu. Foi porque as pessoas queriam estar mais belas, mesmo com a crise. Além disso, os maiores concorrentes do setor não são os outros salões, mas a televisão a cabo, o celular, internet. Com a crise, as pessoas deixaram de comprar imóveis, carros e sobrou mais dinheiro para investirem na aparência, com foco em novo emprego.
Trabalhista
A negociação coletiva de trabalho obtida no Paraná animou o setor. Nesta segunda-feira, Kyrlei Boff vai para São Paulo, onde discutirá acordo semelhante para o Estado.
– Fomos várias vezes para Brasília para discutir com o Tribunal Superior do Trabalho (TST) o nosso problema e chegamos a um consenso. O tribunal reconheceu nossa relação como de parceria porque ela é impossível, matematicamente falando. Você pagar 50% para alguém, é impossível que tudo o que a pessoa fatura seja passível de leis trabalhistas – argumenta o empresário Kyrlei Boff.
Maquiagem
A boa aparência é valorizada especialmente em Curitiba. Segundo Kyrlei Boff, a sua rede de salões tem clientes com contrato mensal, que fazem maquiagem todos os dias. Alunas de natação da academia Swimex saem da piscina, tomam banho e depois fazem maquiagem no salão anexo. Uma curiosidade: Kyrlei é um dos poucos donos de salão do Brasil que não sabem fazer corte de cabelo. É o gestor da empresa. Seu filho Christopher também está ingressando na gestão.

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