Que tal cuidar da beleza ao mesmo tempo em que você ajuda a preservar o meio-ambiente? Essa é a filosofia dos chamados cosméticos orgânicos. Seguindo a lógica dos alimentos, livres de agrotóxicos, os produtos dessa linha não comprometem a natureza e são fabricados com matérias-primas livres de substâncias tóxicas, além de passar por todo um processo ecologicamente correto de produção e teste.
As indústrias que têm o perfil "wellness" seguem a tendência mundial "saúde e sustentabilidade". Ou seja, procuram usar de forma responsável os recursos naturais e respeitar aspectos éticos. Denise Silveira, gerente de marketing da francesa L'Occitane, frisa que nada de origem animal é utilizado nas fórmulas dos produtos da marca. "Usamos somente o mel das abelhas, que é naturalmente produzido pelo animal. Portanto, não é preciso matá-lo ou maltratá-lo para obtê-lo", explica ela.
A brasileira Natura também aderiu à tendência ecológica e lançou a linha Natura Ekos, que substitui o óleo mineral, resultado da purificação do petróleo, por matéria-prima renovável. Agora, inspirada na tabela nutricional da embalagem dos alimentos, acaba de lançar a Tabela Ambiental, que oferece informações que vão desde a qualidade da matéria-prima até a origem e o descarte da embalagem no meio-ambiente.
“Nosso lema é pesquisar, desenvolver e produzir cosméticos orgânicos, promovendo a saúde e o bem-estar das pessoas e a preservação do meio-ambiente”
Para essas empresas, o conteúdo é verdadeiramente o que importa. São utilizados recipientes e sacolas recicláveis e biodegradáveis, que, ao serem descartados e entrarem em decomposição, não prejudicam a natureza. "Estamos mais preocupados com o ecologicamente correto do que com embalagens bonitas", diz Denise Silveira, da L'Occitane. "E o consumidor nota isso", alegra-se.
O desenvolvimento sustentável também entra na cartilha das "empresas orgânicas". Elas não utilizam flores e frutas em extinção e se preocupam em fazer o replantio planejado, sem prejudicar o solo, e beneficiando social e economicamente as comunidades envolvidas na produção. Privilegiam produtores locais - camponeses, tribos etc - detentores de técnicas culturalmente tradicionais que não agridem a natureza.
Suavidade e equilíbrio
Além de não causar danos ao meio-ambiente, os cosméticos orgânicos são mais suaves e evitam alergias, já que não usam corantes e conservantes artificiais ou outros ingredientes sintéticos que possam agredir o corpo. Os representantes das empresas explicam, porém, que é impossível produzir um cosmético 100% natural. "Algumas substâncias sintéticas são utilizadas em quantidade muito pequena para dar a liga", explica Denise Silveira, da L´Occitane, fazendo questão de ressaltar que o peso da fórmula são os extratos naturais de flores, sementes e frutas, tornando esses produtos bem mais puros do que os tradicionais.
Para Alexandre Flack, diretor da KenzoKi (linha de cosméticos da francesa Kenzo), no Brasil, o importante é unir justamente a pureza - e a eficácia dos princípios ativos de ingredientes naturais - ao prazer. Ele aposta nas texturas e nos aromas naturais para provocar reações. "O gengibre, por exemplo, é euforizante; o bambu, energizante; o lótus, relaxante e o arroz, sensual", garante.
Mais do que suavidade no toque, esses produtos contam, portanto, com outro trunfo: o cheiro. Para Simone Valladares, diretora da Reserva Folio, aromas agradáveis geram bem-estar e equilíbrio, porque atuam nos sistemas nervoso e respiratório. "É o que chamamos de aromaterapia. A lavanda, por exemplo, alivia o stress e melhora muito a capacidade respiratória", revela.
E pensa que tudo isso é blá, blá, blá? As promessas estão longe de serem infundadas. As empresas da área têm certificado de qualidade e apostam sempre na pesquisa para levar bem-estar ao consumidor. "Nosso lema é pesquisar, desenvolver e produzir cosméticos orgânicos, promovendo a saúde e o bem-estar das pessoas e a preservação do meio-ambiente", revela Marcos Caram, diretor da Magia dos Aromas, de São Paulo. É, não é qualquer cosmético dito natural que oferece o resultado esperado, então fique de olho nos selos de qualidade!
Certificado de beleza e bem-estar
O IBD (Instituto Biodinâmico) e o Ecocert são dois órgãos que fiscalizam e certificam os produtos e processos orgânicos no Brasil. Para receber o certificado, o produto deve estar inserido dentro de normas rígidas de controle, como pureza e segurança, sustentabilidade, eficácia e respeito aos seres humanos e aos animais.
E quanto à fórmula? Um cosmético orgânico deve conter ingredientes orgânicos, claro. Mas em que quantidade? Algumas certificadoras oferecem selos para produtos com 5% ou 10% de ingredientes orgânicos. Outras, como o IBD, só certificam como orgânicos produtos com pelo menos 95% de ingredientes nessa categoria. Não basta, portanto, ser natural.
Na verdade, um estilo de vida...
Denise Silveira, da L'Occitane, explica que os cosméticos orgânicos são uma tendência mundial e praticamente um estilo de vida. "As pessoas têm se preocupado mais com a proteção ao meio-ambiente e procuram evitar usar química no organismo", afirma. Alexandre Flack, da KenzoKi, confirma e diz que estamos diante de uma grande onda de produtos naturais. "O mundo está comprovando sua eficácia", acredita.
Simone Valladares, da Reserva Folio, afirma que, para quem busca status, consumir cosméticos ecológicos também o confere. Mas é um status diferente: o status da consciência. "Se não houver uma revisão do consumo, até aonde nosso planeta vai chegar?", indaga-se.
A natureza nas prateleiras
Além da Magia dos Aromas, da Natura, da L´Occitane, da Reserva Folio e da Kenzo, veja algumas outras empresas que oferecem cosméticos ecológicos e orgânicos em suas prateleiras.
A inglesa Lush também faz o maior sucesso e tem filiais espalhadas por todo o Brasil. Seus produtos são feitos à mão e com uma quantidade mínima de conservantes, privilegiando as altas concentrações dos extratos de frutas, legumes, temperos e óleos. Dá até vontade de comer!
A Éh Cosméticos, lançada pela empresária Cristina Archangeli, é uma linha de produtos cujas fórmulas são desenvolvidas com ingredientes derivados de óleos naturais nobres, sem petroquímicos.
Já a Amazon Secrets, da fotógrafa Sheila Farah, nasceu em 2000, com o intuito de resgatar, valorizar e proteger as riquezas naturais da Amazônia a partir de produtos ecologicamente corretos.
A Florestas, de São Paulo, exporta para os EUA e Europa, desde 2002, óleos para massagem, produtos para relaxamento dos pés e cremes corporais, entre outros. Tudo bem natural, assim como na Cassiopéia, que aposta no poder cicatrizante e restaurador da Aloe Vera.
E se você der uma esticadinha até a Europa...
Até o Príncipe Charles resolveu apostar no novo filão com a sua marca de cosméticos orgânicos, a Prince Duchy's Originals. A estilista Stella McCartney, filha do legendário Paul McCartney e queridinha do mundo fashion, também não ficou para trás e desenvolveu uma linha de produtos orgânicos para o rosto.

Nenhum comentário:
Postar um comentário